top of page

Artigo

FERIDAS EM EQUINOS: A LIMPEZA IDEAL PARA A CICATRIZAÇÃO EFICIENTE

Por Maria Inês Gay da Fonseca Allgayer

REDEAS25 - ARTIGO INÊS GAY.png

As feridas cutâneas são uma das condições mais frequentes na rotina clínica de equinos, representando desafios tanto para criadores quanto para médicos veterinários.

 

A correta abordagem de limpeza dessas lesões é o ponto de partida fundamental para garantir uma cicatrização eficaz, minimizando complicações, perdas econômicas e acelerando a cicatrização no retorno às pistas.

A IMPORTÂNCIA DO MANEJO DAS FERIDAS

Estudos indicam que cerca de 60% das feridas em equinos ocorrem nos membros, principalmente nas articulações do carpo e tarso, devido à exposição constante a fatores ambientais e traumas acidentais. Embora muitas dessas feridas não sejam fatais, sua má gestão pode resultar em prejuízos significativos, como queda de desempenho atlético, cicatrizes indesejáveis que reduzem o valor de mercado, infecções crônicas e até descarte do animal.

A abordagem inicial correta, com ênfase na limpeza adequada, é essencial para reduzir o risco de complicações, como infecções bacterianas e o desenvolvimento de tecido de granulação exuberante.

CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS

Para um tratamento eficaz, é necessário compreender a classificação das feridas, que pode ser baseada em:

  • Exposição ao ambiente:

  • Feridas fechadas: Contusões e hematomas.

  • Feridas abertas: Incisões, lacerações e perfurações.

  • Grau de contaminação:

  • Feridas limpas: Produzidas em ambiente cirúrgico, com risco de infecção entre 1-5%.

 

  • Feridas contaminadas: Quando já houve contato com agentes infecciosos, apresentando risco de infecção de até 17%.

  • Feridas infectadas: Com presença de pus, edema e carga bacteriana elevada.

  • Tempo de evolução:

  • Agudas: Causadas por traumas recentes, com alta capacidade de reparação.

  • Crônicas: Feridas que não cicatrizam em até seis semanas, exigindo intervenção intensiva.

SOLUÇÕES DE LIMPEZA MAIS UTILIZADAS

Entre as soluções de limpeza mais recomendadas, destacam-se:

  • Solução salina 0,9%: A mais segura e utilizada, pois não causa citotoxicidade.

  • Ringer Lactato: Mantém o equilíbrio eletrolítico e é bem tolerado pelos tecidos, promovendo um ambiente ideal para o processo de cicatrização.

  • Diacetato de clorexidina 0,05%: Possui ação antimicrobiana prolongada, eficaz contra bactérias gram-positivas e gram-negativas.

*OBSERVAÇÃO - CUIDADOS COM A CLOREXIDINA:

A clorexidina, embora amplamente utilizada devido à sua eficácia, pode ser citotóxica em concentrações inadequadas, retardando a cicatrização e danificando fibroblastos. Seu uso em concentrações superiores a 0,05% pode levar a irritação tecidual severa, necrose e até atraso na regeneração celular. Além disso, a aplicação próxima a estruturas ósseas e articulares deve ser evitada para prevenir complicações como sinovites e reações adversas.

DILUIÇÃO CORRETA DA SOLUÇÃO

  • A clorexidina deve ser diluída em solução salina ou Ringer Lactato para garantir segurança e eficácia.

  • A diluição precisa seguir rigorosamente as recomendações veterinárias, utilizando seringas graduadas para medidas precisas.

  • A aplicação deve ser feita com técnica de irrigação controlada para evitar remoção excessiva de tecidos saudáveis.

TÉCNICAS DE LIMPEZA ADEQUADAS

A técnica de limpeza de baixa fricção é a mais recomendada para a higienização de feridas, utilizando pressão controlada para remoção de contaminantes sem causar trauma ao tecido. Deve-se evitar o uso de esponjas abrasivas ou gaze seca, que podem danificar a superfície da ferida e retardar o processo de cicatrização.

PASSO A PASSO DA LIMPEZA DE FERIDAS EM EQUINOS

1. Preparação do ambiente: Assegurar que o local de manejo esteja limpo e com acesso a materiais estéreis.

2. Tricotomia da área afetada: A remoção dos pelos ao redor da ferida previne contaminação adicional.

3. Proteção da ferida: Utilizar gaze embebida em solução estéril para proteger a área durante a tricotomia.

4. Lavagem com solução estéril: Aplicação sob pressão moderada para garantir a remoção

de detritos sem danificar o tecido.

 

5. Secagem suave: Com compressas estéreis, sem fricção excessiva.

6. Aplicação de curativo: Escolha de curativos adequados para promover a cicatrização em

ambiente úmido controlado.

COMPLICAÇÕES COMUNS NO MANEJO DE FERIDAS

A falta de um protocolo correto de limpeza e tratamento pode levar a diversas complicações, tais como:

• Tecido de Granulação Exuberante: Ocorre, entre outros fatores, devido à limpeza com produtos não recomendados ou em concentrações elevadas, uma fase inflamatória prolongada e alguns outros pontos de manejos incorretos.

• Sequestro Ósseo: Fragmentos ósseos desvitalizados que atuam como corpos estranhos e requerem intervenção cirúrgica.

• Biofilmes: Comunidades bacterianas protegidas por matriz polimérica, dificultando o tratamento convencional com antimicrobianos.

CONCLUSÃO

A limpeza e o manejo adequado das feridas em equinos são essenciais para garantir uma recuperação eficiente, minimizando custos e preservando a saúde e o desempenho dos animais. Criadores e veterinários devem estar atentos às melhores práticas baseadas em evidências para proporcionar o melhor tratamento possível.

A implementação de protocolos baseados em soluções adequadas, técnicas de limpeza de baixa fricção e monitoramento constante é a chave para o sucesso no tratamento das feridas, promovendo a longevidade e o bem-estar dos equinos.

Ao implementar protocolos baseados em boas práticas, criadores e veterinários podem garantir não apenas a saúde dos cavalos, mas também o sucesso esportivo e econômico.

AUTORA:

M.V Maria Inês Gay da Fonseca Allgayer

Médica Veterinária CRMV/RS/9267

Equine Therapist

FEI Permitted Treating Veterinarian

Proprietária/CEO Therapy4Horses/Equine Rehabilitation Center Oklahoma-USA

AAEP Member (American Association of Equine Practitioners)

Artigo publicado na Revista Rédeas

Edição Ano X Nº25

Editora Jequitibá

  • instagram-2_verde
  • facebook-app-symbol_verde
  • youtube_verde
logo_marcaregistrada_landingpage copy.png

© 2026 Therapy4Horses.

bottom of page